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CNI começa a construir proposta para conferência de mudanças climáticas

Evento abordou as expectativas do setor industrial e tratou da política internacional do clima e seus impactos ambientais e econômicos

Representantes da indústria e do Itamaraty participam da reunião preparatória para a COP-20

A fim de contribuir com a posição que o Brasil levará à Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas, a COP-20, integrantes da indústria debateram nesta segunda-feira (27) com representante do Itamaraty compromissos e propostas do setor. No encontro, realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, o chefe da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Ministério das Relações Exteriores, ministro Everton Lucero, ouviu as expectativas do setor industrial e tratou da política internacional do clima e seus impactos ambientais e econômicos. 

A COP-20 acontecerá nas duas primeiras semanas de dezembro, em Lima, no Peru. Além de preparar um documento para a conferência, a indústria busca auxiliar o Itamaraty quanto à posição que o país levará para a COP-21, prevista para o fim de 2015, em Paris, ocasião em que se espera um grande acordo internacional para redução de emissoes de gases de efeito estufa. 

Na avaliação da coordenadora da Rede Clima da Indústria Brasileira, Paula Bennati, o setor só poderá firmar compromissos com base em sua capacidade de atendê-los. Ela destacou que é preciso ter atenção em relação à fixação de metas. “É no mínimo estranho termos metas internas sendo que importamos produtos mais intensivos em emissão”, afirmou. 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - Ao apresentar o estágio atual das negociações brasileiras, Everton Lucero observou que a negociação brasileira levará em conta a necessidade de desenvolvimento do país. “Temos que trabalhar com uma perspectiva que não limite a nossa capacidade de desenvolvimento”, disse. 

O diplomata acrescentou que a COP-20 será preparatória para a conferência do ano que vem, em Paris. Segundo ele, a coleta de opiniões junto aos diversos setores da sociedade é importante para fortalecer as posições que o país irá assumir. “Há a expectativa de que se amplie o numero de países que ofereça contribuições. Nesse processo de elaboração, cada país deveria fazer um amplo processo de consultas, uma preparação doméstica, e não deixar tudo na mão de um negociador”, explicou. 

Lucero destacou dois aspectos fundamentais que devem ser definidos em Lima para o sucesso de um possível acordo no ano que vem: delimitar, durante a COP-20, as informações que cada país terá de incluir nas suas contribuições e avançar no esforço de buscar um meio termo em relação às negociações. “É preciso haver uma regra comum para que não haja retrocesso em termos de acordo”, justificou. 

O diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge Soto, ressaltou que a indústria química está empenhada e já enxerga resultados concretos na redução de gases de efeito estufa. Segundo ele, as emissões caíram em mais de 50% desde 2005. 

Soto defende, porém, o estreitamento da parceria do setor industrial com o governo. Para ele, o Brasil tem apresentado bons índices em relação a outros países, principalmente em razão do investimento no controle do desmatamento da Amazônia. “Temos uma eficiência carbônica maior que a média da Europa e dos Estados Unidos. Apesar dessa situação, o problema existe e é relevante, e somos parte da solução”, ressaltou. 

COP-20: A reunião desta segunda-feira foi promovida pela CNI, em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável ( CEBDS ), o Instituto Ethos e a Fundação Getúlio Vargas. A indústria brasileira estará na COP-20, em Lima, com uma delegação de cerca de 30 integrantes e será anfitriã de uma reunião, no dia 11 de dezembro, na capital peruana. A CNI terá como papel acompanhar as negociações e trocar informações relevantes com os negociadores durante a conferência. 

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